Re:Zero | Começando uma Vida em Outro Mundo


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 #1
[Imagem: k6q2Dej.jpg]

Ficha técnica:

Título: Re:Zero | Começando uma Vida em Outro Mundo
Título alternativo: Sinônimo: Re:Zero | Japonês: Re:ゼロから始める異世界生活
Formato: Light Novel
Gênero: Psicológico, Drama, Thriller, Fantasia
Editora: NewPOP
Data de lançamento (Japão): 23/Jan/2014
Data de lançamento (Brasil): Outubro/2017
Número de Volumes (Japão): 12 (Em andamento)
Maiores informações: [Wikipédia]

Sinopse NewPOP:  Subaru Natsuki, um adolescente do ensino médio, é invocado de repente para um outro mundo enquanto voltava de uma loja de conveniência. Essa seria a tão famosa invocação a um outro mundo?! No entanto, ele não encontrou a pessoa que o invocou, foi atacado por ladrões e correu risco de vida. Quem o salvou foi uma misteriosa e bela garota de cabelos prateados acompanhada de um espírito de um gato. Com o pretexto de retribuir o favor, Subaru ajuda a garota a procurar um objeto que perdeu. Contudo, quando finalmente eles encontram uma pista do que procuram, os dois são atacados por alguém e acabam morrendo… ao menos, era o que Subaru achava, até perceber que estava de volta ao mesmo lugar onde havia sido invocado pela primeira vez nesse mundo.
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 #2
Re:Zero volume 1:

Isekai. Essa é uma palavra que pode não ter muito sentido em português (e não tem mesmo), mas que adquiriu enorme proporção na mídia japonesa por conta da - literal - avalanche de títulos desse sub-gênero que tomou as prateleiras orientais.

Essa postagem de hoje é sobre o Volume 1 da Light Novel de "Re:Zero - Começando Uma Vida em Outro Mundo", escrita por Tappei Nagatsuki, com belíssimas ilustrações de Shinichirou Otsuka, e publicada no Brasil pela Editora NewPOP.

É só que simplesmente não dá pra resenhar uma Light Novel Isekai, sem falar do próprio gênero Isekai antes: Traduzindo do japonês, "Isekai" significa "Outro mundo". É um gênero que viu um crescimento tão grande quanto o da população chinesa, que retrata personagens sendo transportadas (por quaisquer desculpas esfarrapadas que sejam) para uma outra realidade, normalmente (mas não necessariamente) fantasiosa.
Os motivos para a explosão do gênero são diversos mas não cabem ao momento, então ficaremos apenas com a introdução.

Dito isso, podemos cair de cabeça nessa tempestade de emoções que foi o primeiro volume de Re:Zero. Com um título que trás "isekai" logo de cara (do japonês, Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu), não se podia evitar um começo cheio de confusões e mais perguntas do que respostas.
Subaru, nosso protagonista, é um "Hikikomori" (Mais conhecido no Brasil pelo Fantástico termo "Nem-Nem"), que sabe-se-lá-Deus o motivo, acaba sendo teletransportado para um outro mundo. Utilizando-se de seu vasto conhecimento de histórias Isekai, adquiridos por ficar em casa o dia todo, Subaru consegue manter a calma, e procede em fazer todas as escolhas erradas possíveis.

O primeiro capítulo é involuntariamente hilário. Toda vez que o protagonista toma uma decisão, logo em seguida ele se arrepende amargamente, e vê-lo se dando mal nunca deixa de ser engraçado. Se a série se centrasse em simplesmente mostrar o Subaru se ferrando por suas más escolhas, eu não teria nenhuma reclamação a fazer.
Acontece que, como toda história que se passa num mundo fantasioso medieval, precisamos ter uma história digna de um RPG. E como qualquer jogo do gênero deve ser jogado, as personagens também decidem ignorar completamente a missão principal e fazer todas as trezentas side-quests que lhe são oferecidas.

A "missão principal" do volume é bem simples e poderia ser resolvida de forma rápida, fácil e sem baixas. Eu consigo imaginar, no mínimo, sete ou oito tipos de desenrolar para a história onde tudo acabaria bem. Mas como o nosso protagonista parece sofrer de lapsos mentais convenientemente posicionados (já falo disso), temos a descoberta do maior ponto da novel: o "Retorno na Morte".

Viagens no tempo precisam ser tratadas com cuidado pois, quando usadas da forma errada, podem acabar com uma história. Eu, particularmente, detesto viagens no tempo e vou matalas. Re:Zero revolucionou o gênero Isekai quando, não contente com ser um simples Isekai, decidiu também ser uma Light Novel de loops temporais. De forma tão bem explicada que levanta mais dúvidas do que você já tinha (como se ser transportado pra um outro mundo já não fosse estranho o bastante), Subaru possui esse poder de voltar no tempo sempre que morre.

É o tipo de ferramente de roteiro que, pra mim, acaba completamente com qualquer tensão que uma história poderia criar. Isso é dito pelo próprio protagonista, que sabe que se alguma merda acontecer, ele pode simplesmente resetar o mundo e estará tudo bem. Contudo, ainda é muito cedo para julgar. Com a pequena quantidade de 'loops' que tivemos até agora, não dá para saber como o autor vai lidar com isso. Alguns exemplos famosos mostram que mesmo situações dessas podem gerar tensão, se usadas corretamente (Bites the Dust vem a mente). Alguns exemplos famosos mostram que mesmo situações dessas podem gerar tensão, se usadas corretamente (Bites the Dust vem a mente).

O elenco de Re:Zero é algo a se destacar. Todas as personagens são muito bonitas (graças as belas ilustrações de Shinichirou Otsuka), tem uma personalidade bem definida e conseguem se firmar bem na história proposta. Todos... Menos Subaru.
Parece ser algo padrão em histórias japonesas: Fazer o protagonista o cara mais absorto e desgostável possível. Não só sua personalidade e ações são horríveis, como ele também parece ser o único personagem mal-escrito da trama. Lembra dos lapsos de memória que eu comentei antes? O Subaru é um cara que possui um conhecimento enorme de... diversos tópicos. Ele os usa abundantemente durante o primeiro capítulo da novel. E apesar de várias vezes se dar mal por conta disso, ele consegue sim tomar algumas decisões sensatas com base neles.
Mas em diversos momentos ao longo do volume, Subaru parece simplesmente ESQUECER princípios básicos. O autor decide torná-lo burro sempre que lhe é conveniente, para fazer a história prosseguir no rumo planejado.
A maior prova disso é que as melhores passagens do livro são justamente aquelas onde Subaru não está presente, ou está incapacitado de abrir a boca ou pensar. Basicamente, Re:Zero seria muito melhor sem ele, mas infelizmente estamos presos a esse protagonista. Pode se tornar até algo positivo, já que, quando se está no fundo do poço, o único caminho é pra cima.

Se você gosta de mundos de fantasia medieval, no melhor estilo Tolkien, The Elder Scrolls ou Warcraft, a ambientação vai com certeza te prender. Junte isso com um elenco de personagens excepcional, uma narrativa divertida (nos momentos mais leves da história) e descrições de cenas de ação muito bem elaboradas, Re:Zero pode ser a sua praia. É só aguentar o protagonista mais irritante dos últimos anos.

Mas, agora que o conteúdo já foi analisado, podemos ir ao que realmente importa: A qualidade da edição brasileira. Afinal, somos todos sommelier de lombada, não é?
Como sempre, a NewPOP caprichou na impressão. A capa é linda (ambas são, inclusive. Vale como item de colecionador!), as ilustrações internas estão com qualidade excelente, e o papel é ótimo. O formato "pocket" (chamado assim por aqui, mas que é o original japonês para a obra) facilita muito a leitura, e ainda economiza espaço na estante. Nesse quesito, só pontos positivos para a editora do Sr. Júnior.

Já a parte escrita possui algumas coisas que ficaram entaladas na garganta. A revisão sempre foi um problema, e apesar das incansáveis tentativas de melhorar (que estão funcionando! Não me levem a mal, está muito melhor do que era antes!), ainda vemos erros de digitação e palavras sobrando ou faltando. No volume como um todo, pude contar seis erros que se encaixariam nessa categoria.
A qualidade do texto está boa. Apesar de uma ou outra frase que poderia ter sido escrita de forma mais fluida, e um exagero no número de artigos antes dos nomes das personagens, a leitura aconteceu sem nenhum problema.

Re:Zero - Começando uma Vida em Outro Mundo - vale a pena? Eu diria que meu julgamento final é que sim, compensa a compra e rende uma boa leitura. Desde que você entenda que se trata de uma Light Novel.
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 #3
Re:Zero volume 2:

Assim como Subaru, retorno da morte para fazer outra postagem. Se achou que eu desistiria depois de apenas um volume, você está muito enganado. Fazer resenhas é o único motivo que me força a terminar de ler qualquer coisa, e como minha lista de espera está saindo de controle, é hora de seguir as sábias palavras de René Descartes: "Leio, logo resenho", ou algo assim. De qualquer maneira, segundo volume de Re:Zero - Começando uma Vida em Outro Mundo, da editora NewPOP.

Depois de vê-lo morrer umas três vezes para conseguir sobreviver seu primeiro dia no mundo alternativo, encontramos Subaru numa situação completamente diferente da inicial. Tirando-o de sua zona de conforto, e tendo que se virar num ambiente e com tarefas onde seu vasto (e apenas ocasionalmente utilizado) conhecimento não lhe é útil, voltamos a uma sensação boa de ter prazer em vê-lo se dando mal.

A primeira parte do volume (e, se me permitirem a audácia de tentar traçar padrões após apenas dois exemplares... De todos os volumes) foi uma leitura extremamente agradável. Subaru fez suas cagadas como sempre, mas a história estava fluindo e estávamos explorando novos acontecimentos, recebendo novos fatos, descobrindo novas informações. Re:zero pode até não se esforçar para, mas acaba construindo um universo interessante e que tem gostinho de quero mais. Por isso, a "primeira volta" é sempre fenomenal e o melhor excerto do(s) volume(s).

Porém, como diz o ditado, "O mundo gira e vacilão roda". Nesse caso, quem roda é você, leitor, ao ter que experienciar os mesmos dias, os mesmos fatos, várias e várias vezes. Tá certo que a cada volta de Subaru, novas coisas acontecem, mas... É frustrante, caras.
O autor retrata, em diversos momentos, a frustração do protagonista, por ter que reviver diversos dias, diversas vezes. Mas em momento nenhum ele pára para pensar na frustração... do leitor.
Como já discutido anteriormente, e acredito ser unanimidade, ninguém lê essa light novel por causa de seu protagonista cativante. O que nos prende é o cenário interessante e as personagens que cercam o poço de ruindade. Daí o senhor Nagatsuki vem e nos força a ter apenas um terço do livro para essas coisas legais, e todo o resto é exclusivamente um desafio de tentar escalar o poço de ruindade previamente mencionado.

Juro pra vocês que, quando cheguei na segunda volta, fiquei tão frustrado pela interrupção abrupta do meu livrinho japonês, que larguei mão de ler e só voltei uma semana depois. E infelizmente, deve ser um comportamento que se repetirá, afinal... A única coisa que o cara faz direito é morrer.

De qualquer maneira, deixando a causa da discórdia de lado, o segundo volume introduziu diversos novos personagens na história, todos muito importantes para o decorrer da obra a longo prazo. As empregadas gêmeas são literalmente fábricas de memes ambulantes; o nobre é literalmente um bobo da corte; e a bibliotecária é literalmente... hm... literalmente uma bibliotecária? Não sei, "literalmente" é uma palavra muito forte.
O importante é que todas essas personagens tiveram sua primeira aparição neste segundo volume, e tivemos um terço dele para conhecê-las melhor. Todas intrigantes (cada uma em seu estilo), mas nenhuma chega aos pés de Reinhard van Astrea, o santíssimo espadachim, cavaleiro entre os cavaleiros, cara mais boa pinta do reino e que injustamente não teve sequer uma aparição neste segundo volume (opinião pode ou não ser levemente tendenciosa).

A edição física da NewPOP, dessa vez com uma única capa, manteve o seu nível altíssimo de acabamento, lombada, papel, ilustração, etc. Aquela coisa toda que vocês adoram. Vai ficar bonito pra caramba na estante e vai dar gosto de pegar nele pra mostrar pro seu amigo que veio te visitar, folhear por cinco minutos e depois guardar de novo.

Porém, algo que não se manteve foi... ela mesma, aquela, o fantasma que não larga o osso e continua a assombrar a editora de Júnior Fonseca obra após obra: A revisão. A impressão que tive foi que o revisor estava fazendo seu trabalho tranquila e atentamente, até que foi avisado que o seu prazo de entrega era amanhã de manhã. Há muito mais erros no último capítulo do volume sozinho, do que no resto das obras publicadas em 2017 pela editora. Não tem como ter outra ideia além de que ele foi apressado por conta de prazos, e não pode fazer o seu trabalho como gostaria. Um ponto negativo para o volume.

Se vale continuar lendo? Estamos meio que obrigados moralmente a comprar pelo menos até o volume três, afinal... precisamos saber o desfecho desse arco. Não te contaram? Esse volume termina em aberto, e o arco da mansão só será concluído no próximo volume... Que sai daqui dois meses... E eu fiquei bem bolado de só descobrir isso ao virar a página e ver que não tinha mais páginas para virar.
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 #4
Re:Zero volume 3:

Para a surpresa de ninguém que tenha lido o segundo volume, chegamos no terceiro tomo de Re:Zero, aquela novel que você nunca sabe se bota dois pontos pra escrever o subtítulo, pois já tem dois pontos no próprio nome e repetições são feias.

Como dito da última vez, esse volume foi uma continuação do arco da mansão - que, digo para vocês: Deixou de ser da mansão rapidamente - e trouxe não só um fim para o nosso sofrimento, mas também para muitas dúvidas que pairavam no ar.
Bem, todas as dúvidas sanadas podem ser classificadas em duas categorias distintas: Ou eras "dúvidas" que você poderia concluir sozinho trinta e dois capítulos atrás; ou eram mais dúvidas relacionadas a fanbase do anime do que à novel em si. Vou falar sobre uma de cada vez.

Começando pela puxada de orelha ao autor, temos as "revelações" (que me esforço para chamar de tal modo) da trama. O que eu normalmente espero quando estou imerso em uma nova história, é que ela consiga me surpreender. Obras cujo foco estão em te manter preso a elas através de reviravoltas (plot twist: quase todas que existem são assim!) precisam... bem, te manter preso através de reviravoltas.
Quando penso nisso, sempre me vem a cabeça livros de detetive, aquela coisa no melhor estilo Agatha Christie, que te dá dicas aqui e ali, e você interpreta da sua forma, mas nem sempre você está certo no final da história. É sempre uma sensação boa não importa o resultado. Acertou? Satisfação por um trabalho bem feito. Errou? Surpresa por uma reviravolta intrigante.

Por isso, quando peguei esse volume de Re:Zero, pensei: "Já tenho alguns palpites para as coisas que estão acontecendo... Mas elas parecem estar muito descaradamente fáceis de acertar... Não sou nenhum xeroque rolmes, mas acredito que é justamente isso que o autor quer, que eu tome conclusões precipitadas baseadas em suas falácias propositais...".

Foi um suspense enorme, o autor ficou botando lenha no fogueira pra incendiar minha expectativa... E a realidade foi o maior fogo de palha do mundo. Tudo aconteceu da forma mais óbvia possível, tudo que estava praticamente PREMEDITADO desde o volume anterior aconteceu exatamente como eu estava esperando.
Sério, o autor é péssimo em guardar segredos. Não só as "surpresas" que deveriam ter sido o ponto alto desse volume, mas também a trama que virá no futuro. Acho impossível alguém ler a novel e não conseguir imaginar o que vai acontecer no futuro, ou o motivo de Subaru ter sido evocado para esse outro mundo. É tudo muito descarado, acaba até perdendo a graça.

Voltando ao ponto inicial, a segunda puxada de orelha é quanto a fanbase. Não necessariamente culpa deles, na verdade. Acho que é mais culpa do autor - de novo - do que dos leitores. É sobre como os personagens se desenvolvem ao redor do mundo de Subaru.
Após o fim do volume anterior, me indaguei: "Como diabos as pessoas podem gostar tanto da Rem? O que ela fez aqui é imperdoável!" e mantive esse pensamento durante a leitura do livro seguinte. O que senti foi que a barra estava sendo forçada demais, tentando nos fazer gostar da empregada. Não só dela, mas de outros personagens secundários também (A Beatrice, por exemplo, mas no caso da bibliotecária eu até consigo aceitar, tendo em vista suas ações anteriores).
Não só essa barra (que é gostar de você) que está sendo segurada, mas também a própria personalidade das personagens. Além de tentar nos convencer de que devíamos gostar delas, o autor, do nada, resolve mudar as personagens para fazê-las gostar da pior personagem já escrito na história da humanidade, o Subaru.
Não adianta, cara. Não importa o que você faça, eu nunca vou gostar do Subaru.

Ambos os pontos negativos de lado, posso dizer que o restante do volume (se é que sobrou alguma coisa) foi até que proveitoso. Como já dito anteriormente, a única coisa que me prende a história é o seu mundo e as coisas e pessoas excepcionais que existem nele. Esse volume nos trouxe um grande desenvolvimento de world-building, mesmo quando a melhor parte do livro tenha sido a preview do próximo.
Não, sério, estou ansioso pelo próximo, pois finalmente vamos ter alguma coisa acontecendo.

Sobre a parte física do negócio... Eu não vou nem comentar mais sobre a qualidade da impressão, do acabamento e da lombada. Segue a mesma maravilha dos outros volumes. Se um dia mudar, eu comento.
Agora algo que não mudou mas será sempre comentado é aquela, o nêmesis da editora e que eu preciso sempre cutucar sobre: A revisão.
Dentre os três volumes, esse foi o que teve maior número de erros de revisão. São todos erros bobos, coisa que eu, lendo o livro de madrugada, consegui notar. Não consigo entender como esse tipo de coisa continua acontecendo.
Mas nesse volume, pela primeira vez, tivemos alguns erros que prejudicaram o entendimento da obra. Perdi a conta de quantas vezes os nomes Rem e Ram foram trocados. Em algumas frases fica óbvia a troca entre as irmãs (até pelo contexto), mas em alguns momentos, talvez eu tenha realmente tido uma interpretação errada da cena, por pensar que tal fala foi dita por uma das gêmeas, e não a outra.
Isso não pode continuar. Fica difícil defender a obra, a editora, e o mercado de light novels do país, quando esse tipo de erro amador continua acontecendo edição após edição.

Apesar dos pesares, o volume três de Re:Zero foi muito superior ao seu antecessor, e a promessa de COISAS™ no próximo volume nos dá esperança de que a leitura possa continuar valendo a pena. Se acharem com desconto na Amazon, acho que vale o preço.
Responder
 #5
Se você achou que eu tinha desistido de Re:Zero, achou quase certo! Infelizmente por motivos contratuais sou obrigado a dizer apenas a verdade e contar pra vocês que eu vou continuar lendo independente do rumo que o livrinho tomar. Além dos japoneses, eu também sou um pouco estranho.

Viemos do terceiro tomo com uma promessa: que agora, finalmente ganharíamos a nossa merecida recompensa por ter aturado Subaru por quase mil páginas; que iríamos receber mais desenvolvimento de mundo, informações faltantes para entendermos onde estamos e para onde vamos.

Podemos dizer que, de certa forma, a promessa foi cumprida. Mas assim como um serelepe gênio da lâmpada, o autor usa da pior interpretação possível das palavras que usamos para nossos desejos: o mundo foi desenvolvido e descobrimos que ele é terrível; e que o único caminho para qual rumamos tem destino o caos, logo ao lado do desespero sem fim, esquina com a agonia eterna.

Queria começar pelo world-building, mas pra isso preciso passar pelas novas personagens, então… Uma enxurrada de pessoas novas, com todos os tipos de aparência, posição social e ganha-pão, mas com uma coisa em comum: terem personas terríveis. Menos o Al, o Al é gente boa.


Tá bom, tá bom, posso estar forçando um pouco a barra. Algumas delas não são TÃO ruins assim. Aliás, deixar claro que quando eu digo “ruim”, não estou querendo dizer “mal escrita” ou “pessimamente desenvolvida“, mas sim “coração ruim“, pessoas que têm a alma maldosa mesmo. Porém, isso já era uma característica esperada: quando o maior ponto de exaltação de sua heroína é, justamente, a sua gentileza e seu coração bom, é normal imaginar que seus arredores serão cobertos por tudo quanto existe de ruindade no mundo, para fazê-la se destacar. E Re:Zero faz justamente isso.

Cada um tem sua peculiaridade, e claro, algumas coisas boas para poderem ter salvação, pelo menos. Ao menos, é o que eu gostaria de pensar. É muito triste imaginar que existem tantas pessoas inteiramente ruins em um lugar só, então espero que esses pequenos detalhes que foram trabalhados pelo autor sejam sinais de que no fundo, cada uma dessas personagens sejam boas. Embora admita que algumas não tem salvação…

A grande questão é que, mesmo com o esforço colossal de fazer todo mundo parecer ruim para elevar a bondade da Emilia para níveis Hollywoodianos, uma única pessoa é o suficiente para isso, e não é nenhuma das novas personagens… Meu Deus do céu Subaru, como você consegue?

Eu venho falando mal do nosso amigo protagonista desde os primórdios da criação, e fico feliz de saber que minha expectativa nunca é falha. Ele realmente sempre faz tudo errado, o tempo todo. Ele se esforça de uma forma colossal para conseguir obter o pior resultado possível em suas ações. O cara precisa morrer de duas a quatro vezes ao dia pra entender o que diabos ele tá fazendo de errado. E isso, como você lerá, se torna um problema (gritante) neste volume.

Só que chega desse blá-blá-blá e vamos ao que interessa: World-building. Levou só quatro volumes, mas finalmente começamos a entender o motivo da história inteira acontecer. Não, não tô falando sobre como o Subaru foi isekai-zado, mas logo depois disso. Afinal, tudo começou com o roubo da insígnia, não é?

A sucessão real foi o assunto principal do volume (se excluirmos a teimosia do Subaru, que sempre é o número um), e rapaz, não é que dessa vez o autor acertou em cheio? Conseguiu nos dar um panorama geral da situação, mostrar muito bem quem está envolvido e por quais motivos, e ainda teve a audácia de meter uma meta-piada de quebra de quarta parede no meio da sala do trono do castelo. Eu faço críticas a rodo sem dó nem piedade, mas quando elogios são merecidos, eu não faço descaso. Nesse quesito (e convenhamos, só nesse), tá de parabéns.

Não apenas a sucessão real, mas também aprendemos muito sobre a capital, seus habitantes, suas ordens e grupos, e até mesmo sobre o mundo de Subaru. Confesso que fiquei realmente chocado (ainda é cedo pra dizer se positiva ou negativamente) com as surpresas que envolvem o “mundo real“. Além disso, temos a oportunidade de conhecer mais sobre política, magia e história do mundo alternativo. Foi extremamente produtivo nesse aspecto.

Aos poucos, vão sendo reveladas as peças necessárias para montar o grande quebra-cabeça do mundo de Re:Zero. Afinal, convenhamos: não estamos lendo essa novel por causa de seu protagonista cativante, né? O grande atrativo é o seu mundo rico e cheio de mistérios. O charme está em justamente não ter muitos mistérios de verdade, mas ser um grande mistério por nós não o conhecermos, e irmos descobrindo-o uma parte de cada vez.

De novo mais uma vez novamente tivemos a edição impecável da NewPOP que já conhecemos. Papel, capa, ilustrações, acabamento, etc etc etc. Eu já cansei de falar sobre a qualidade não só das Novels como de todos os produtos da editora.

Inclusive, dessa vez gostaria de deixar um elogio a mais: a adaptação que a equipe escolheu para os “sotaques” dos personagens. No volume, fomos apresentados a diversos personagens, como citado, mas dois em especial são bem marcantes (por diversos motivos): Priscilla e Al. A garota se encaixa no esteriótipo de “dama chique”, e fala como tal no original; enquanto o homem é a própria definição de “tiozão de anime“, e usaria uma camiseta havaiana se não estivéssemos em outro mundo. Como isso foi localizado para o papel? A garota fala em segunda pessoa como em novelas de época; o homem fala com gírias dos anos 80 e parece ter saído da TV Manchete.

Sério, ficou muito bom, e adorei a escolha. Não sei se foi ideia do Thiago Nojiri (o tradutor) ou foi sugerido a ele por outrem, mas dou os parabéns a equipe pela excelente localização. Não só nisso, como nas “frases antiquadas” da Emília e nas piadas do Subaru.

Agora voltamos a programação normal e damos o nosso já costumeiro puxão de orelha sobre a revisão. Confesso que deu uma melhorada nesse volume, nada muito gritante como no anterior, mas ainda assim, diversos erros bobos, principalmente nos capítulos finais. Depois de notar esse padrão pela quarta vez, fica impossível de negar que o prazo é o culpado. O começo é revisado com calma, e quando a água bate na bunda e a data de entrega aperta, a revisão afrouxa. Tem que ver isso aí, Júnior.

No geral, foi tanto o melhor como o pior volume da série até aqui, dependendo de que parte do livro você pegar pra ver. O que isso significa? De verdade, nem eu sei mais. Acho que dá pra recomendar mais do que o último.
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