Re:Zero | Começando uma Vida em Outro Mundo


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2 respostas neste tópico
 #1
[Imagem: k6q2Dej.jpg]

Ficha técnica:

Título: Re:Zero | Começando uma Vida em Outro Mundo
Título alternativo: Sinônimo: Re:Zero | Japonês: Re:ゼロから始める異世界生活
Formato: Light Novel
Gênero: Psicológico, Drama, Thriller, Fantasia
Editora: NewPOP
Data de lançamento (Japão): 23/Jan/2014
Data de lançamento (Brasil): Outubro/2017
Número de Volumes (Japão): 12 (Em andamento)
Maiores informações: [Wikipédia]

Sinopse NewPOP:  Subaru Natsuki, um adolescente do ensino médio, é invocado de repente para um outro mundo enquanto voltava de uma loja de conveniência. Essa seria a tão famosa invocação a um outro mundo?! No entanto, ele não encontrou a pessoa que o invocou, foi atacado por ladrões e correu risco de vida. Quem o salvou foi uma misteriosa e bela garota de cabelos prateados acompanhada de um espírito de um gato. Com o pretexto de retribuir o favor, Subaru ajuda a garota a procurar um objeto que perdeu. Contudo, quando finalmente eles encontram uma pista do que procuram, os dois são atacados por alguém e acabam morrendo… ao menos, era o que Subaru achava, até perceber que estava de volta ao mesmo lugar onde havia sido invocado pela primeira vez nesse mundo.
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 #2
Re:Zero volume 1:

Isekai. Essa é uma palavra que pode não ter muito sentido em português (e não tem mesmo), mas que adquiriu enorme proporção na mídia japonesa por conta da - literal - avalanche de títulos desse sub-gênero que tomou as prateleiras orientais.

Essa postagem de hoje é sobre o Volume 1 da Light Novel de "Re:Zero - Começando Uma Vida em Outro Mundo", escrita por Tappei Nagatsuki, com belíssimas ilustrações de Shinichirou Otsuka, e publicada no Brasil pela Editora NewPOP.

É só que simplesmente não dá pra resenhar uma Light Novel Isekai, sem falar do próprio gênero Isekai antes: Traduzindo do japonês, "Isekai" significa "Outro mundo". É um gênero que viu um crescimento tão grande quanto o da população chinesa, que retrata personagens sendo transportadas (por quaisquer desculpas esfarrapadas que sejam) para uma outra realidade, normalmente (mas não necessariamente) fantasiosa.
Os motivos para a explosão do gênero são diversos mas não cabem ao momento, então ficaremos apenas com a introdução.

Dito isso, podemos cair de cabeça nessa tempestade de emoções que foi o primeiro volume de Re:Zero. Com um título que trás "isekai" logo de cara (do japonês, Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu), não se podia evitar um começo cheio de confusões e mais perguntas do que respostas.
Subaru, nosso protagonista, é um "Hikikomori" (Mais conhecido no Brasil pelo Fantástico termo "Nem-Nem"), que sabe-se-lá-Deus o motivo, acaba sendo teletransportado para um outro mundo. Utilizando-se de seu vasto conhecimento de histórias Isekai, adquiridos por ficar em casa o dia todo, Subaru consegue manter a calma, e procede em fazer todas as escolhas erradas possíveis.

O primeiro capítulo é involuntariamente hilário. Toda vez que o protagonista toma uma decisão, logo em seguida ele se arrepende amargamente, e vê-lo se dando mal nunca deixa de ser engraçado. Se a série se centrasse em simplesmente mostrar o Subaru se ferrando por suas más escolhas, eu não teria nenhuma reclamação a fazer.
Acontece que, como toda história que se passa num mundo fantasioso medieval, precisamos ter uma história digna de um RPG. E como qualquer jogo do gênero deve ser jogado, as personagens também decidem ignorar completamente a missão principal e fazer todas as trezentas side-quests que lhe são oferecidas.

A "missão principal" do volume é bem simples e poderia ser resolvida de forma rápida, fácil e sem baixas. Eu consigo imaginar, no mínimo, sete ou oito tipos de desenrolar para a história onde tudo acabaria bem. Mas como o nosso protagonista parece sofrer de lapsos mentais convenientemente posicionados (já falo disso), temos a descoberta do maior ponto da novel: o "Retorno na Morte".

Viagens no tempo precisam ser tratadas com cuidado pois, quando usadas da forma errada, podem acabar com uma história. Eu, particularmente, detesto viagens no tempo e vou matalas. Re:Zero revolucionou o gênero Isekai quando, não contente com ser um simples Isekai, decidiu também ser uma Light Novel de loops temporais. De forma tão bem explicada que levanta mais dúvidas do que você já tinha (como se ser transportado pra um outro mundo já não fosse estranho o bastante), Subaru possui esse poder de voltar no tempo sempre que morre.

É o tipo de ferramente de roteiro que, pra mim, acaba completamente com qualquer tensão que uma história poderia criar. Isso é dito pelo próprio protagonista, que sabe que se alguma merda acontecer, ele pode simplesmente resetar o mundo e estará tudo bem. Contudo, ainda é muito cedo para julgar. Com a pequena quantidade de 'loops' que tivemos até agora, não dá para saber como o autor vai lidar com isso. Alguns exemplos famosos mostram que mesmo situações dessas podem gerar tensão, se usadas corretamente (Bites the Dust vem a mente). Alguns exemplos famosos mostram que mesmo situações dessas podem gerar tensão, se usadas corretamente (Bites the Dust vem a mente).

O elenco de Re:Zero é algo a se destacar. Todas as personagens são muito bonitas (graças as belas ilustrações de Shinichirou Otsuka), tem uma personalidade bem definida e conseguem se firmar bem na história proposta. Todos... Menos Subaru.
Parece ser algo padrão em histórias japonesas: Fazer o protagonista o cara mais absorto e desgostável possível. Não só sua personalidade e ações são horríveis, como ele também parece ser o único personagem mal-escrito da trama. Lembra dos lapsos de memória que eu comentei antes? O Subaru é um cara que possui um conhecimento enorme de... diversos tópicos. Ele os usa abundantemente durante o primeiro capítulo da novel. E apesar de várias vezes se dar mal por conta disso, ele consegue sim tomar algumas decisões sensatas com base neles.
Mas em diversos momentos ao longo do volume, Subaru parece simplesmente ESQUECER princípios básicos. O autor decide torná-lo burro sempre que lhe é conveniente, para fazer a história prosseguir no rumo planejado.
A maior prova disso é que as melhores passagens do livro são justamente aquelas onde Subaru não está presente, ou está incapacitado de abrir a boca ou pensar. Basicamente, Re:Zero seria muito melhor sem ele, mas infelizmente estamos presos a esse protagonista. Pode se tornar até algo positivo, já que, quando se está no fundo do poço, o único caminho é pra cima.

Se você gosta de mundos de fantasia medieval, no melhor estilo Tolkien, The Elder Scrolls ou Warcraft, a ambientação vai com certeza te prender. Junte isso com um elenco de personagens excepcional, uma narrativa divertida (nos momentos mais leves da história) e descrições de cenas de ação muito bem elaboradas, Re:Zero pode ser a sua praia. É só aguentar o protagonista mais irritante dos últimos anos.

Mas, agora que o conteúdo já foi analisado, podemos ir ao que realmente importa: A qualidade da edição brasileira. Afinal, somos todos sommelier de lombada, não é?
Como sempre, a NewPOP caprichou na impressão. A capa é linda (ambas são, inclusive. Vale como item de colecionador!), as ilustrações internas estão com qualidade excelente, e o papel é ótimo. O formato "pocket" (chamado assim por aqui, mas que é o original japonês para a obra) facilita muito a leitura, e ainda economiza espaço na estante. Nesse quesito, só pontos positivos para a editora do Sr. Júnior.

Já a parte escrita possui algumas coisas que ficaram entaladas na garganta. A revisão sempre foi um problema, e apesar das incansáveis tentativas de melhorar (que estão funcionando! Não me levem a mal, está muito melhor do que era antes!), ainda vemos erros de digitação e palavras sobrando ou faltando. No volume como um todo, pude contar seis erros que se encaixariam nessa categoria.
A qualidade do texto está boa. Apesar de uma ou outra frase que poderia ter sido escrita de forma mais fluida, e um exagero no número de artigos antes dos nomes das personagens, a leitura aconteceu sem nenhum problema.

Re:Zero - Começando uma Vida em Outro Mundo - vale a pena? Eu diria que meu julgamento final é que sim, compensa a compra e rende uma boa leitura. Desde que você entenda que se trata de uma Light Novel.
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 #3
Re:Zero volume 2:

Assim como Subaru, retorno da morte para fazer outra postagem. Se achou que eu desistiria depois de apenas um volume, você está muito enganado. Fazer resenhas é o único motivo que me força a terminar de ler qualquer coisa, e como minha lista de espera está saindo de controle, é hora de seguir as sábias palavras de René Descartes: "Leio, logo resenho", ou algo assim. De qualquer maneira, segundo volume de Re:Zero - Começando uma Vida em Outro Mundo, da editora NewPOP.

Depois de vê-lo morrer umas três vezes para conseguir sobreviver seu primeiro dia no mundo alternativo, encontramos Subaru numa situação completamente diferente da inicial. Tirando-o de sua zona de conforto, e tendo que se virar num ambiente e com tarefas onde seu vasto (e apenas ocasionalmente utilizado) conhecimento não lhe é útil, voltamos a uma sensação boa de ter prazer em vê-lo se dando mal.

A primeira parte do volume (e, se me permitirem a audácia de tentar traçar padrões após apenas dois exemplares... De todos os volumes) foi uma leitura extremamente agradável. Subaru fez suas cagadas como sempre, mas a história estava fluindo e estávamos explorando novos acontecimentos, recebendo novos fatos, descobrindo novas informações. Re:zero pode até não se esforçar para, mas acaba construindo um universo interessante e que tem gostinho de quero mais. Por isso, a "primeira volta" é sempre fenomenal e o melhor excerto do(s) volume(s).

Porém, como diz o ditado, "O mundo gira e vacilão roda". Nesse caso, quem roda é você, leitor, ao ter que experienciar os mesmos dias, os mesmos fatos, várias e várias vezes. Tá certo que a cada volta de Subaru, novas coisas acontecem, mas... É frustrante, caras.
O autor retrata, em diversos momentos, a frustração do protagonista, por ter que reviver diversos dias, diversas vezes. Mas em momento nenhum ele pára para pensar na frustração... do leitor.
Como já discutido anteriormente, e acredito ser unanimidade, ninguém lê essa light novel por causa de seu protagonista cativante. O que nos prende é o cenário interessante e as personagens que cercam o poço de ruindade. Daí o senhor Nagatsuki vem e nos força a ter apenas um terço do livro para essas coisas legais, e todo o resto é exclusivamente um desafio de tentar escalar o poço de ruindade previamente mencionado.

Juro pra vocês que, quando cheguei na segunda volta, fiquei tão frustrado pela interrupção abrupta do meu livrinho japonês, que larguei mão de ler e só voltei uma semana depois. E infelizmente, deve ser um comportamento que se repetirá, afinal... A única coisa que o cara faz direito é morrer.

De qualquer maneira, deixando a causa da discórdia de lado, o segundo volume introduziu diversos novos personagens na história, todos muito importantes para o decorrer da obra a longo prazo. As empregadas gêmeas são literalmente fábricas de memes ambulantes; o nobre é literalmente um bobo da corte; e a bibliotecária é literalmente... hm... literalmente uma bibliotecária? Não sei, "literalmente" é uma palavra muito forte.
O importante é que todas essas personagens tiveram sua primeira aparição neste segundo volume, e tivemos um terço dele para conhecê-las melhor. Todas intrigantes (cada uma em seu estilo), mas nenhuma chega aos pés de Reinhard van Astrea, o santíssimo espadachim, cavaleiro entre os cavaleiros, cara mais boa pinta do reino e que injustamente não teve sequer uma aparição neste segundo volume (opinião pode ou não ser levemente tendenciosa).

A edição física da NewPOP, dessa vez com uma única capa, manteve o seu nível altíssimo de acabamento, lombada, papel, ilustração, etc. Aquela coisa toda que vocês adoram. Vai ficar bonito pra caramba na estante e vai dar gosto de pegar nele pra mostrar pro seu amigo que veio te visitar, folhear por cinco minutos e depois guardar de novo.

Porém, algo que não se manteve foi... ela mesma, aquela, o fantasma que não larga o osso e continua a assombrar a editora de Júnior Fonseca obra após obra: A revisão. A impressão que tive foi que o revisor estava fazendo seu trabalho tranquila e atentamente, até que foi avisado que o seu prazo de entrega era amanhã de manhã. Há muito mais erros no último capítulo do volume sozinho, do que no resto das obras publicadas em 2017 pela editora. Não tem como ter outra ideia além de que ele foi apressado por conta de prazos, e não pode fazer o seu trabalho como gostaria. Um ponto negativo para o volume.

Se vale continuar lendo? Estamos meio que obrigados moralmente a comprar pelo menos até o volume três, afinal... precisamos saber o desfecho desse arco. Não te contaram? Esse volume termina em aberto, e o arco da mansão só será concluído no próximo volume... Que sai daqui dois meses... E eu fiquei bem bolado de só descobrir isso ao virar a página e ver que não tinha mais páginas para virar.
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